- Património
- Património Arquitetónico
Património Arquitetónico
Arquitetura de Contrastes
Região de contrastes geográficos e culturais revela também na sua arquitectura esta dualidade. Desta forma, as zonas de vale caracterizam-se pelo povoamento disperso e por extensas explorações agrícolas acompanhadas de uma arquitetura elaborada, influência das ricas construções religiosas e solarengas. No lado oposto encontram-se as aldeias serranas do Alvão e do Barroso, pequenos aglomerados de construções simples em pedra rolada. Alguns povoados preservam ainda uma estrutura tradicional, merecendo destaque pela sua preservação as aldeias de Limões, de Santo Aleixo e de Agunchos, estas últimas integradas nas Aldeias de Portugal.
Já do século XX e fruto das vagas de emigração do pós-guerra são as casas novas que começam a surgir na década de 60, caracterizadas pela riqueza dos materiais e pela influência construtiva centro-europeia.
A arquitectura contemporânea conheceu a sua implantação nas últimas décadas do século XX com a construção de edifícios de influência moderna e pós-moderna, merecendo o destaque, pelo reconhecimento do seu arquitecto, a Casa Tóló.
Ribeira de Pena é um concelho rico em igrejas e capelas que se encontram em quase todos os povoados. Os mais antigos exemplares remontam à época medieval e deixaram os seus vestígios nas Igrejas de Canedo e Cerva e na capela de São Pedro em Ribeira de Pena. Grande expressão tiveram, no entanto, o Maneirismo e o Barroco, fruto da riqueza acumulada por alguns emigrantes que principalmente nos séculos XVII e XVIII se aventuram para o Brasil promovendo, muitas vezes em cumprimento de promessas, a construção de requintados templos como são a Igreja Matriz do Salvador, a Igreja de Santa Marinha, as capelas da Senhora da Guia e da Granja Velha e algumas capelas afectas a casas senhoriais.
Há também nesta época a proliferação de pequenas capelinhas pelos povoados, algumas apresentando pormenores de requinte decorativo, como a Capela das Almas ou a Capela de São Sebastião em Cerva, outras marcadas pela simplicidade vernacular da sua construção. Já o século XX caracteriza-se pela construção de espaços dedicados à Senhora de Fátima, merecendo destaque a capela de Balteiro e a capela do Calvário em Canedo.
Os solos férteis dos vales do Tâmega e afluentes levaram ao estabelecimento de várias famílias nobres no concelho, que aqui promoveram a construção de magníficos solares.
Estas construções conhecem também grande impulso com a emigração para o Brasil e a concessão de títulos nobiliárquicos a vários descendentes de casas nobres que constroem também os seus palacetes. Embora as primeiras casas sejam fundadas no final da Idade Média, é com os séculos XVII e XVIII que são construídos os melhores exemplares.
Podem-se distinguir seis núcleos de construções solarengas: o de Salvador, que compreende as casas do Bucheiro, de Boumilo e do Picanhol; o de Santa Marinha, composto apenas pela Casa de Santa Marinha; o de Senra, composto pelas casas da Temporã, das Pereiras, de Senra de Cima e de Senra de Baixo; o de Santo Aleixo, que compreende as casas da Aldeia, do Fragão, da Fêcha e do Outeiro; o de Bragadas, composto unicamente pela Casa do Barroso; e o de Cerva, que engloba a Casa de Crespos, a Casa das Donas e a Casa da Costa.
Para além das casas brasonadas, há ainda um grande número de casas rurais cuja qualidade de construção e requinte decorativo supera, em alguns casos, as anteriores.
É, no entanto, na tecelagem que o artesanato conhece maior expressão, pelo trabalho da lã nas zonas mais recônditas do Alvão e, principalmente, pelo trabalho do linho. Produzido um pouco por todo o lado, foi nos centros de produção de Cerva e Limões que atingiu elevados níveis de especialização na qualidade do trabalho final, motivando a realização anual da Feira do Linho enquanto reconhecimento da sua excelência.
Ribeira de Pena possui ainda importantes infra-estruturas arquitectónicas de utilização pública que importa destacar. As mais antigas encontram-se entre as pontes que desde tempos remotos ajudam à transposição dos numerosos cursos de água cujo caudal avulta frequentemente tornando perigosa a sua travessia. Merecedoras de referência são as pontes medievais de Alvite, classificada como Monumento Nacional, e do Lourêdo, as pontes de Penalonga, da Póvoa e de Cabriz, dos séculos XVII e XVIII, e as construções do século XX onde a Ponte de Arame se destaca pela sua peculiaridade e pela sua imponência.
Outras estruturas de referência são os pelourinhos, marcos da autonomia municipal de outros tempos. Dos dois que existiram, um em Ribeira de Pena e outro em Cerva, apenas subsiste este último, construído no século XVII e classificado como Imóvel de Interesse Público. Ribeira de Pena possui ainda alguns cruzeiros comemorativos do duplo centenário da fundação e restauração da independência. O mais emblemático, pela sua imponência, é o Cruzeiro da Independência em Ribeira de Pena, mas há ainda os cruzeiros de Limões, Penaformosa e Formoselos, todos diferentes entre si. Numa terra rica em nascentes de água, há também uma série de fontanários, dos quais que merecem referência a Fonte de Santo António, na Senhora da Guia, e a Fonte da Água Boa, em Cerva, por serem as mais conhecidas. Por fim, assinalar os edifícios dos serviços públicos. O mais antigo é o edifício dos Paços do Concelho, na Venda Nova, construção do século XVIII ou XIX onde funcionaram a Câmara e a Cadeia Municipais até à construção, em 1932, do novo edifício para a Câmara Municipal e de um novo edifício para o posto da GNR.
A riqueza arquitectónica do concelho estende-se também pelas suas escolas primárias que, na sua quase totalidade, são fruto de vários programas de construção ao longo do século XX, encontrando o seu exemplar mais carismático na Escola Primária do Salvador, do arquitecto Adães Bermudes.
Por fim, de influência transmontana, a tradição de roubar carros, grades, arados e vasos por alturas do São João, que são depois depositados no centro das aldeias, para transtorno de proprietários e deleite dos larápios.
Envoltas de grande tradição estão as romarias que se realizam um pouco por todo o concelho ao longo do ano, geralmente em honra do santo local, em momentos de reunião e encontro. Para além das festividades religiosas, sempre acompanhadas de magníficas procissões com elaborados andores, há também toda uma festividade civil onde não faltam o folclore e as tendas de produtos regionais, culminando com riquíssimos fogos de artifício.
O destaque, pela sua antiguidade e dimensão e pela riqueza dos seus andores, vai para a Romaria de Nossa Senhora da Guia, padroeira do concelho, que se realiza a 15 de Agosto atraindo milhares de romeiros ao alto da Fonte do Mouro. Pela sua dimensão, merecem ainda referência às festas do Salvador, Balteiro, Santo Aleixo e Cerva. As feiras são também um momento de grande importância económica pois servem, ainda hoje, para as populações locais se aviarem dos mais variados produtos. O destaque vai para a tradicional feira anual de Balteiro, a 22 de Dezembro, que há várias gerações serve o avio para o Natal das povoações do concelho e arredores.
A economia predominantemente rural que sempre marcou o concelho revela-se na sua arquitectura, sendo ainda hoje imensos os exemplares de estruturas de apoio à agricultura. Entre espigueiros, silos, moinhos, levadas, azenhas e lagares, cada qual diferente do anterior, destacam-se, pela sua peculiaridade, os espigueiros comunitários de Penalonga, os moinhos da Levada de Santo Aleixo, os moinhos de Bustelo, a azenha de casas Novas, em Cerva, e os lagares do Bucheiro e de Bragadas. Ainda neste campo, merecem referência os relógios de sol, frequentemente encontrados adoçados a uma casa, capela ou estrutura de apoio agrícola. Imensas são também as alminhas e os Fiéis de Deus que com frequência se encontram junto a estradas, caminhos e pontes, estruturas construídas por particulares em memória de um ente querido em locais de grande simbologia pessoal.
