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Cultura do Linho
Desde tempos pré-históricos que o linho se assumiu como um produto de grande importância para o Homem, ao produzir uma fibra de alta qualidade para a elaboração de tecidos.
Em Portugal, a sua influência estendeu-se a todo o país, como especial destaque no vestuário e na decoração, assumindo grande relevo na economia de algumas regiões.
Ribeira de Pena destacou-se sempre pela sua excelência da tecelagem manual do linho principalmente na freguesia de Cerva e Limões que no passado viram reconhecida a qualidade e a perfeição dos seus trabalhos fornecendo às casas mais nobres da região.
Daí que o artesanato do linho assuma, hoje em dia neste concelho um lugar de destaque, evidenciado pelas associações que preservam esta tradição bem como pela realização anual da Feira do Linho.
Ciclo do Linho
O Cultivo
A primeira etapa do ciclo é a sementeira, que se realiza no final do mês de abril e deve ser feita em terrenos de regadio. Durante este período, recorre-se a técnica do alongamento, com a finalidade de distribuir melhor a água. Nesta fase, realizam-se também as mondas que impedem que as plantas infestantes prejudiquem o crescimento do linho.
Quando a planta está madura, é altura da arrancada que acontece no final de junho. A planta é arrancada pela raiz, a forma a aproveitar-se todo o comprimento dos caules.
O Tratamento
Após a arrancada, e ainda no campo, é feita a ripagem, que consiste em passar o linho pelos dentes de um ripo, com pancadas verticais, de forma a retirar a baganha. Aqui, o linho é colocado em mancheias (pequenos molhos), com a semente virada para o mesmo lado para serem submergidas em água durante um período de nove dias, com a finalidade de descolar as fibras da casca do linho.
São posteriormente transportadas para o lameiro onde o linho é colocado ao sol a secar e é virado regularmente para que haja uma secagem rápida e uniforme.
Quando a palha apresenta uma cor amarela e se destaca facilmente da fibra por ficção, está pronta a ser atada em molhos e lavada para continuar o tratamento.
É agora altura de maçar o linho, ou seja, esmagar a palha com um maço redondo de madeira, até que seja possível retirar as fibras da parte lenhosa.
De seguida, é necessário amandar o linho, esfregando-o manualmente, torcendo-o em espiral para separar os restos de celulose e torna-lo mais maleável.
Depois, o linho é colocado num cortiço e bate-se-lhe com a espadela até se separarem os tascos (parte lenhosa) técnica chamada de espadelagem.
Fiação
De seguida o linho é assedado no sedeiro– espécie de crivo que separa os tormentos (fio curto) do linho (fio mais comprido). É nesta fase que as fibras passam a fio de linho, usando-se a roca e o fuso. Quando o linho é já um fio uniforme, é passado no sarilho que serve para o enrolar em meadas.
De seguida dá-se o processo de branqueamento, conhecido como barrela. Aqui, as meadas são colocadas nos cortiços, em cuja boca se coloca um pano coberto de cinza (barreleiro). Através do pano é deitada água a ferver, que penetra o filtro e se acumula no cortiço, sendo depois escoada pelo fundo. Esta operação demora três dias.
Depois as meadas são molhadas e bem batidas na pedra de um lavadoiro e posteriormente colocadas novamente no lameiro a corar, sendo regadas naturalmente.
Quando as meadas estão secas e brancas, são levadas à dobadoura, que permite passar o fio para novelos (dobar). Posteriormente, preparam-se os fios para serem colocados no tear (urdir). No final, monta-se no órgão no tear para o linho ser trabalhado.
